Drenagem Linfática Manual nas Cirurgias de Mama

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A cirurgia é, normalmente, o tratamento mais frequente e eficaz contra cancro. Retirar totalmente o tumor do corpo sugere a solução imediata e definitiva para o problema. A preocupação do cirurgião é remover o tumor e também parte do tecido que o envolve, para prevenir uma recaída (volta do tumor) no local da operação. Independentemente da extensão da cirurgia, as recaídas também podem ocorrer nos linfonodos (gânglios linfáticos) próximos à área ou noutros órgãos distantes (metástases). Por essa razão, além do tumor primário, o cirurgião quase sempre retira um (linfonodo sentinela) ou mais linfonodos próximos. A análise desses linfonodos removidos ajuda o oncologista a avaliar o quadro real da doença e a estabelecer a estratégia do tratamento: Quimioterapia ou não? Radioterapia com quimioterapia ou sem?

Amplitude da Cirurgia

A cirurgia pode ser mais ampla ou mais conservadora em função do tamanho, do tipo e do local do tumor. Em todas as situações ocorre um trauma cirúrgico sobre pele, tecido subcutâneo, músculos, nervos e vasos sanguíneos e linfáticos. Essas estruturas ficam alteradas e inflamam-se, originando sintomas como dor, edema (inchaço) e dificuldade nos movimentos. Apesar de naturais, provisórios e esperados, estes sintomas são desagradáveis e podem deixar a paciente deprimida, ansiosa e com medo, além de retardar o ritmo do tratamento e da recuperação. Se a paciente não for orientada e auxiliada adequadamente nesta fase pós operatória, a dor e o edema persistem, podendo se agravar, e os movimentos podem ficar restritos definitivamente. Nesse caso, não só fica prejudicado o andamento do tratamento oncológico (radioterapia e/ou quimioterapia), como também aumenta a possibilidade de complicações como retrações, aderências, cicatrizes hipertróficas e linfedema (inchaço crónico).

A retirada dos linfonodos (ou gânglios linfáticos) axilares nas cirurgias de mama, além de diminuir a defesa, altera a circulação da linfa na região operada e no braço do mesmo lado. A linfa é um líquido incolor, transparente, que circula em vasos linfáticos, é filtrada pelos linfonodos e posteriormente devolvida ao sangue próximo ao coração. Com a remoção dos linfonodos, a passagem da linfa fica mais difícil, lenta e ela pode, às vezes, começar a se acumular no braço, no ombro e no tronco do mesmo lado da cirurgia: a região vai se tornando mais inchada e pode se instalar o linfedema.

Drenagem Linfática Manual

Felizmente, o corpo humano tem outras vias de passagem do líquido. Essas vias acessórias – ou vasos linfáticos acessórios – ficam inativas em situações normais, mas podem ser ativadas quando houver necessidade. Para ativar ou estimular estes vasos é preciso utilizar uma massagem especial: é a drenagem linfática manual. As manobras desta massagem sempre são suaves, lentas, devem seguir uma direção específica em cada caso particular e devem também ser realizadas por um fisioterapeuta (ou outro profissional) habilitado. Porém, o paciente pode e deve ajudar muito praticando diariamente a auto-massagem: um resumo simplificado e fácil das principais manobras de drenagem linfática manual, que deve ser orientado pelo profissional.

Auto-Massagem

A auto-massagem, assim como a drenagem linfática manual, é diferente para cada pessoa e depende da cirurgia realizada, das condições da pele e da cicatrização da paciente.

A realização da auto-massagem diariamente é um importantíssimo recurso para a prevenção do linfedema, assim como os exercícios e os cuidados. Quando o linfedema se instala e torna-se crônico, a automassagem também é realizada várias vezes ao dia, associada a outros recursos.

É muito frequente o questionamento: a drenagem linfática não é contra indicada nos casos de cancro? Ela não poderia deslocar eventuais células malignas e levar o tumor para outras regiões do corpo? No entanto, quando se conhece bem o mecanismo carcinogénico, ou seja, o mecanismo que leva uma célula a se desorganizar, se modificar e se multiplicar desordenadamente, pode-se compreender que uma massagem suave como a drenagem linfática manual, assim como os movimentos normais que realizamos diariamente não tem esse poder de provocar um crescimento tumoral. Além disso, quando uma paciente está em tratamento de Fisioterapia, ela também está sendo assistida por toda uma equipa médica, encarregada de controlar e combater o cancro: se o tipo de tumor diagnosticado tiver a possibilidade de crescer e gerar metástases, certamente a paciente estará em tratamento quimioterápico. As drogas quimioterápicas são muito potentes e tem a importante função de combate às células malignas, não podendo ser neutralizadas por movimentos ou pela drenagem linfática manual.

Fisioterapia Oncológica

É de suma importância que a Fisioterapia especializada em Oncologia inicie um programa terapêutico já nos primeiros dias após a cirurgia. A paciente obterá mais rapidamente a recuperação de movimentos e a remissão da dor, podendo dar continuidade ao tratamento de radioterapia ou quimioterapia sem atraso e ficará menos vulnerável a complicações respiratórias, circulatórias e de cicatrização.
Esse programa de Fisioterapia Oncológica utiliza recursos como exercícios específicos, relaxamento e correção postural, com o objetivo de recuperar os movimentos e aliviar dores e inchaço. Ressalta-se, no entanto, a importância da drenagem linfática manual. Esta, que tem como objetivo específico o restabelecimento da circulação linfática local e a absorção de líquido e toxinas acumulados, cumpre também outras funções: auxilia o alívio da dor, mobiliza os tecidos traumatizados diminuindo a restrição que estes podem oferecer aos movimentos e possibilita maior bem estar.

Créditos: Marcia Colliri Camargo, Fisioterapeuta (Diário do Massoterapeuta)

Importante: este artigo é meramente uma partilha de informação e opiniões e não deve servir como base para qualquer decisão médica. Se for o caso, consulte um médico especialista.

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By | 2017-05-25T23:05:17+00:00 Junho 29th, 2015|Blog|